SureKits

Rastreabilidade individual: cada instrumento com a sua história

Quando cada instrumento tem identidade própria, a CME, a CCIH e as compras passam a decidir com dados. Explicamos o que isso permite, o que a literatura já mostrou e onde estão os limites.

Fale conoscoVer evidências

Ilustração: o ciclo do instrumental, do centro cirúrgico ao expurgo, à montagem e à guarda, com um ponto percorrendo as etapas

O que é rastreabilidade individual

Rastrear por caixa ou por lote diz onde a caixa esteve. Rastrear cada instrumento diz a história de cada peça: por onde passou, em quais cirurgias foi usada, por quantos ciclos de reprocessamento passou e quando falhou ou foi reparada.

A tag RFID dá a identidade, e cada leitura registra qual instrumento, onde e quando. As regras e o histórico completo ficam no software de CME e nos sistemas do hospital, ao qual o SureKits se integra.

Ilustração: um instrumento com tag passa pelo centro cirúrgico, pela lavagem, pela esterilização e pela guarda, e o histórico de usos cresce
  • Onde está

    Em qual caixa, em qual sala, em qual etapa do ciclo.

  • O que passou

    Em quais cirurgias foi usado e por quantos ciclos de limpeza e esterilização.

  • Em que estado está

    Quando foi inspecionado, reparado ou retirado de uso.

A diferença: sai a pergunta "onde está a caixa?" e entra "qual é a história desta peça?".

Manutenção preventiva: prever antes de quebrar

Hoje, em geral, o instrumento é trocado quando falha, muitas vezes no meio da cirurgia. Com o histórico de usos e ciclos de cada peça, a CME e a engenharia clínica podem planejar a inspeção, a afiação e a troca.

Há um estudo que mostra o caminho. Em um centro japonês, os registros do sistema de rastreabilidade por RFID, com 34.390 cirurgias de 15 especialidades entre 2013 e 2017, permitiram estimar a vida útil de 136 tesouras. A probabilidade de falha passou de 50% depois de 169 usos e de 80% depois de 224.

Ilustração: curva da chance de falha subindo com o número de usos, até um limite que dispara a inspeção do instrumento
  • Benefícios

    Menos falhas surpresa durante a cirurgia, inspeção e afiação programadas, e dados para cobrar o fornecedor do instrumento.

  • Limites

    É um estudo de um centro e de um tipo de instrumento, e o ajuste estatístico foi fraco. O estudo não mostra que os alertas reduziram quebras.

  • Cuidado

    Os limites de uso variam por tipo, marca e forma de uso. Devem ser definidos e validados pela CME e pela engenharia clínica, nunca automáticos.

Previsão de demanda e provisionamento

Saber quais instrumentos são usados, com que frequência e em que tipo de cirurgia transforma compras e reposições em decisão baseada em uso real.

O uso real também mostra o que sobra: instrumentos que quase nunca são usados podem sair do kit padrão. No estudo da Duke, 25 de 62 instrumentos de um kit foram retirados depois da validação clínica. Veja a página de Evidências e ROI.

Ilustração: kit completo em que poucos instrumentos são usados e kit enxuto com os raros em embalagens individuais
  • Benefícios

    Compras e reposições mais precisas, kits sob medida e menos reprocessamento de peças que ninguém usa.

  • Limites

    O histórico reflete o período medido. Mudanças de equipe, de técnica ou de perfil de cirurgias alteram o uso, e é preciso uma amostra suficiente.

  • Cuidado

    Toda retirada de instrumento do kit passa por aprovação dos cirurgiões e da CME.

CCIH: rastrear eventos de contaminação

Quando acontece um evento, como um indicador de esterilização que falha, um lote suspeito ou uma exposição de pacientes, a pergunta da CCIH é: quais instrumentos, em quais caixas, usados em quais pacientes? Com identificação individual, a resposta sai de um registro e não de uma reconstrução.

A literatura mostra o custo de não saber. Em uma revisão do CDC sobre 19 incidentes de pacientes expostos a instrumentos potencialmente contaminados por príons, os conjuntos contaminados não puderam ser identificados em 11 dos 19 hospitais (58%). Em vários, havia muitos conjuntos neurocirúrgicos, e foi preciso notificar todos os pacientes operados no período.

Ilustração: a partir de um instrumento, a lupa encontra a caixa em que ele esteve e os pacientes operados com ela
  • Benefícios

    Investigação mais rápida, notificação restrita a quem realmente foi exposto e registro para auditoria.

  • Limites

    A rastreabilidade não evita a contaminação e uma leitura não prova esterilidade. Depende de leitura em cada etapa e de manter os instrumentos dentro dos seus conjuntos.

  • Cuidado

    Ligar instrumento a paciente cria dados pessoais. O tratamento deve seguir a LGPD e as regras do hospital.

Rastrear não substitui limpar e esterilizar bem. Rastrear faz o hospital saber, em minutos, o tamanho de um problema.

Doenças priônicas e descarte de instrumentos

Os príons resistem aos processos habituais de limpeza e esterilização. Por isso, instrumentos usados em tecidos de alto risco (cérebro, medula e olho) de pacientes com doença de Creutzfeldt-Jakob suspeita ou confirmada pedem protocolos específicos de descontaminação, ou o descarte.

As recomendações internacionais incluem imersão em hidróxido de sódio seguida de autoclave, quarentena enquanto o diagnóstico não está definido e, para instrumentos delicados que não resistem a esses processos, considerá-los de uso único. Quando não é possível identificar os conjuntos usados, a revisão do CDC sugere tratar todos os conjuntos neurocirúrgicos com o protocolo, principalmente os que passaram por menos de 10 ciclos.

A transmissão por instrumentos é rara. A revisão do CDC relata seis casos, entre o fim da década de 1950 e 1976, ligados a instrumentos neurocirúrgicos e eletrodos contaminados, e nenhum caso conhecido em procedimentos oftalmológicos.

  • O que a identificação individual permite

    Achar na hora os instrumentos de um caso suspeito, colocá-los em quarentena, contar os ciclos de cada um e registrar a descontaminação ou o descarte, peça a peça.

  • O que ela não faz

    Não decide o descarte nem define o protocolo. Essa decisão é da CCIH e da direção clínica, conforme a norma vigente e a orientação da Anvisa.

  • Limite da evidência

    Não encontramos estudo que mostre que o rastreio individual reduz infecções. O NICE aponta o custo-efetividade de manter os conjuntos rastreáveis como assunto a pesquisar.

Em situações extremas, a identificação individual poupa o hospital de descartar tudo por não saber qual peça foi usada.

Benefícios e problemas, lado a lado

Uma visão honesta ajuda a decidir. Estes são os ganhos e as dificuldades que a literatura e a prática apontam.

TemaBenefícioProblema ou limite
ManutençãoPlanejar inspeção, afiação e troca pelo uso realLimites de uso precisam de validação; um estudo de um centro
DemandaCompras e kits baseados no usoDepende de amostra suficiente e de aprovação clínica
CCIHInvestigação rápida e notificação restritaExige leitura em todas as etapas; dados de pacientes pedem LGPD
PríonsAchar, isolar e registrar o descarte, peça a peçaNão decide o protocolo; sem estudo de impacto em infecções
TecnologiaLeitura rápida, sem linha de visadaMetal e caixas fechadas limitam a leitura; a tag precisa resistir ao reprocessamento
AdoçãoDados que hoje não existemInvestimento, mudança de rotina e treinamento da equipe

O que o SureKits entrega

O SureKits entrega a identificação e a leitura: a tag em cada instrumento, os equipamentos de leitura Identix e o registro de qual peça foi lida, onde e quando. Esses dados alimentam o software de CME e os sistemas do hospital, que guardam o histórico completo e aplicam as regras da CCIH.

Fontes

Os números e as recomendações citados vêm destas fontes. Confira sempre a norma e a orientação vigentes do seu hospital e da Anvisa.

  1. Belay ED, Blase J, Sehulster LM, Maddox RA, Schonberger LB. Management of Neurosurgical Instruments and Patients Exposed to Creutzfeldt-Jakob Disease. Infect Control Hosp Epidemiol. 2013;34(12):1272-1280. doi.org/10.1086/673986
  2. Rutala WA, Weber DJ. Guideline for Disinfection and Sterilization of Prion-Contaminated Medical Instruments. SHEA, 2010. doi.org/10.1086/650197
  3. Yoshikawa T, Kimura E, Akama E, et al. Prediction of the Service Life of Surgical Instruments from the Surgical Instrument Management System Log Using Radio Frequency Identification. BMC Health Serv Res. 2019;19:695. doi.org/10.1186/s12913-019-4540-0
  4. NICE. Reducing the risk of transmission of Creutzfeldt-Jakob disease (CJD) from surgical instruments used for interventional procedures on high-risk tissues. www.nice.org.uk/guidance/htg535
  5. Olivere LA, Hill IT, Thomas SM, Codd PJ, Rosenberger LH. Radiofrequency Identification Track for Tray Optimization. J Surg Res. 2021;264:490-498. doi.org/10.1016/j.jss.2021.02.049
  6. WHO. Infection Control Guidelines for Transmissible Spongiform Encephalopathies. WHO/CDS/CSR/APH/2000.3, 2000. www.who.int/publications/i/item/WHO-CDS-CSR-APH-2000.3

Quer discutir o seu caso?

Conte como a CME e a CCIH trabalham hoje e mostramos o que a rastreabilidade individual muda na prática.

Fale conosco